Franchising registra crescimento de 9,4 % no 1º Tri do ano

Publicado em 12/05/2017 por Adriana Vizzone

Segmentos de Hotelaria e Turismo; Saúde, Beleza e Bem-Estar e Limpeza e Conservação apresentaram maior variação de crescimento.

Embora ainda sinta os efeitos do cenário macroeconômico, o mercado de franchising brasileiro começa a apresentar os primeiros sinais de recuperação. No primeiro trimestre deste ano, a receita do setor cresceu 9,4% nominalmente em relação ao mesmo período de 2016. O faturamento passou de R$ 33,710 bilhões para R$ 36,890 bilhões. É o que revela a Pesquisa Trimestral de Desempenho do setor realizada pela ABF – Associação Brasileira de Franchising.

“Trata-se de um desempenho bastante significativo ao observamos todo o contexto da economia brasileira e também em comparação aos resultados registrados no primeiro trimestre de 2016, quando a inflação medida pelo IBGE foi de 2,62%, um índice elevado para o período. Porém, o dado revela que a recuperação do ritmo de crescimento do franchising é gradativa, ainda abaixo de dois dígitos”, afirma Altino Cristofoletti Junior, presidente da ABF.

Já no acumulado de 12 meses, o faturamento teve uma alta de 8,8%:

Quanto ao movimento de abertura e fechamento de lojas no 1º trimestre de 2017, o estudo apontou uma variação positiva de 1,3% em relação ao mesmo período anterior, já que foram abertas 2,3% dessas unidades e houve o fechamento de 1,0% delas. São registradas atualmente 142.673 unidades de franquias no País.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego no País subiu para 13,7% entre janeiro e março deste ano, atingindo 14,2 milhões de pessoas. Impactada pelo quadro de retração do mercado de trabalho brasileiro, a pesquisa indicou uma queda de 0,22% no número de empregos diretos do setor no trimestre, que totalizou 1.188.979 de trabalhadores. Para o presidente da ABF, “o setor promoveu ajustes em suas operações a fim de aprimorar sua eficiência, garantir sua sustentabilidade e estar em sintonia com o momento econômico. Como a crise já se estende há mais de dois anos, houve o impacto maior nos empregos gerados, mas esperamos recuperar estes postos ao longo do ano”, pondera.

Segmentos

Entre os segmentos que apresentaram maior variação de crescimento nos meses de janeiro a março deste ano, Hotelaria e Turismo teve um faturamento maior em 31% na comparação com o mesmo trimestre de 2016. O resultado expressivo demonstra a recuperação do segmento que nos primeiros três meses do ano passado havia registrado 15% de queda da receita. A maior estabilidade do dólar, a redução do endividamento das famílias também explicam a significativa expansão.

O segundo melhor desempenho ficou com o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar, que cresceu 17% no mesmo período. A procura por produtos e serviços da área, o crescimento de franquias de clínicas populares e a diversificação de canais de venda das redes de cosméticos são fatores que contribuíram para esse crescimento.

Limpeza e Conservação registrou o terceiro melhor desempenho, com variação positiva de 16% no período pesquisado. O segmento mostrou ganhos de eficiência ao reduzir o número de unidades e aumentar o faturamento.

“São dados que indicam o aumento da eficiência do setor como um todo, que está mais produtivo e fez a ‘lição de casa’ para enfrentar da melhor maneira possível os desafios impostos pela retração da economia brasileira”, declara Altino Cristofoletti Junior.

Em termos de localização das unidades, modalidade de operação e canal de venda, a pesquisa trimestral registrou uma tendência à estabilidade. Predominam unidades de Rua (65,9%) e em Shoppings (23%), seguidas do Home Office (5,3%) e em Supermercados (3,6%). Já em Modalidade de Operação, predominam Lojas (90%), precedidas de Quiosques (7%). As Lojas (próprias e franqueadas) também prevalecem enquanto Canal de Vendas (75,1%), seguidas do E-commerce (1,7%).

“Nos últimos dois anos, temos visto um maior interesse por parte das redes tanto no desenvolvimento de novos formatos como na diversificação de canais de venda. Frente à grande base instalada de lojas, esse movimento ainda não foi suficiente para impactar mais pesadamente o perfil do setor, mas acreditamos que isso tenda a acontecer nos próximos anos. A ABF, inclusive, pretende estudar mais de perto esse movimento tão importante para o futuro do franchising”, afirma o presidente da ABF.

Multifranqueados e franqueados multimarca

A pesquisa trimestral apontou ainda o fortalecimento da tendência de redes com multifranqueados e franqueados multimarca. Em 2017, 74,5% das redes alegaram ter multifranqueados em suas operações, ante um índice de 68,5% em 2016. Por outro lado, caiu o número de redes que proíbem esta prática, que passou de 1,4% para 0,3%. Considerando-se as redes que possuem multifranqueados, 23% de seus franqueados têm mais de uma unidade. Quando olhamos de forma invertida, ou seja, para as unidades, 37% delas são administradas por multifranqueados.

Expansão semelhante se registra entre os franqueados multimarca (empreendedores que administram unidades de mais de uma marca de franquia). Em 2017, 43% das redes afirmaram possuir franqueados multimarca, uma expansão de cinco pontos percentuais em relação a 2016. A penetração, porém, ainda é baixa: das redes que permitem esta prática, apenas 6% dos franqueados são franqueados multimarca. Administrar unidades de 2 a 4 marcas é prática predominante.

“Esta é uma tendência que avança no Brasil, tanto devido às vantagens operacionais, quanto ao amadurecimento dos empreendedores e às oportunidades geradas pela retração econômica. Porém, temos ainda muito espaço, visto que, em mercados mais maduros como o norte-americano, o percentual de franqueados que administra mais de uma unidade supera os 50%”, avalia o presidente da ABF.

Metodologia

A Pesquisa de Desempenho do Franchising referente ao 1º trimestre de 2017 envolveu uma base amostral com redes respondentes que representam cerca de 43% das unidades e 53% do faturamento total do setor.

Envolvendo o mercado como um todo, inclusive não associados, os números do desempenho do setor de franchising são apurados em pesquisa por amostragem, cruzados com levantamentos feitos por entidades representantes de setores correlatos ao sistema de franquias, órgãos de governo, instituições parceiras e de ensino. Auditados por empresa independente, os dados divulgados pela ABF são referência para órgãos governamentais de diversas esferas, entidades internacionais do franchising, como World Franchise Council (WFC), Federação Ibero-americana de Franquias (FIAF) e instituições financeiras.

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Palavras-chaves: Franquia, Investir em franquias, ABF