Cauteloso, paulistano pretende usar o 13º para quitar dívidas

O Índice de Intenção de Financiamento dos paulistanos se manteve praticamente estável, em novembro, com leve alta de 0,3%, passando dos 17,4 pontos em outubro para 17,5 pontos, 4,8% inferior na comparação com o mesmo mês de 2016, quando o indicador alcançou 18,4 pontos. Os números, de certa forma, surpreendem, já que nessa época do ano, às vésperas do Natal, é comum a busca por financiamentos e parcelamento das compras de bens mais caros. Ainda que esses dados mostrem um consumidor cauteloso e que provavelmente usará o décimo terceiro salário para quitar dívidas.

Os dados compõem a Pesquisa de Risco e Intenção e Endividamento (PRIE), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que prevê para dezembro uma maior propensão a contrair dívida, mas que, mesmo assim, não deve representar um movimento expressivo do índice.

Em novembro, o Índice de Segurança de Crédito, que mede a capacidade de pagamento de dívidas com base na posse de reservas financeiras, registrou queda de 3,5% na comparação mensal, atingindo 75,5 pontos, ante os 78,2 pontos registrados em outubro, 5,9% menor em relação ao apurado em novembro de 2016, quando o indicador marcava 80,2 pontos.

Entre os endividados, houve queda de 3% na segurança de crédito, que atingiu 61,6 pontos, ante os 63,5 pontos registrados em setembro. Na comparação com outubro de 2016, quando registrou 62,4 pontos, houve queda de 1,2%. Entre os não endividados, houve leva queda de 0,8% na comparação mensal, passando dos 95,7 para os 94,9 pontos em novembro e com retração de 5,6% no contraponto anual, quando o indicador marcava 100,5 pontos.

Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, houve uma piora no indicador de mercado de crédito, que atingiu 75,5 pontos em novembro, mas no decorrer do ano, o que se notou foi uma estabilidade. A previsão é que em dezembro, mesmo com o décimo terceiro salário direcionado para quitar dívidas, aconteça uma natural alta nos gastos, o que tende a reduzir a poupança e aumentar a propensão ao endividamento. Ao longo deste ano, em torno de 7% a 10% dos entrevistados afirmaram que estão dispostos a tomar crédito.

Para a Federação, a expectativa é que haja um ajuste mais significativo dos indicadores da PRIE em razão dos recursos extras do fim de ano no orçamento familiar. Na principal data para o varejo, é provável que a PRIE capte uma mudança nesse comportamento dos consumidores, até agora muito cautelosos.

Aplicações

Em novembro, 63,3% dos aplicadores tinham na poupança o principal destino dos seus recursos, alta de 2,5 pontos porcentuais (p.p.) em relação aos 60,8% apurados em outubro. Em novembro de 2016, a proporção era de 61,5%. Os que aplicam em renda fixa alcançaram 18,8%, queda de 2 p.p. em relação ao mês anterior, registrando queda na comparação aos 21,8% registrados em novembro de 2016.

Segundo a FecomercioSP, este foi o ano da previdência privada e da renda fixa, que teve um bom desempenho e, não coincidentemente, perdeu espaço neste mês, quando houve a realização de lucros, e o preço dos ativos cresceu consideravelmente. No caso da previdência privada, o cenário nos próximos meses deve ser positivo, principalmente se aprovada a Reforma da Previdência, que obrigará a faixa de consumidores de renda elevada, principalmente do setor público, a buscar novas alternativas.

Sobre a PRIE

A Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento (PRIE), apurada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), tem o objetivo de acompanhar o interesse dos paulistanos em contrair crédito e a evolução da proporção de famílias endividadas na capital paulista que possuam aplicações financeiras, gerando um índice de risco inerente a essas operações. Os dados que compõem a PRIE são coletados em 2,2 mil entrevistas mensais realizadas na cidade de São Paulo.